Cultura africana no Brasil no ENEM PPL 2025
TEXTO I
Pensar a Escrevivência como um fenômeno diaspórico e universal primeiramente me incita a voltar a uma imagem que está no núcleo do termo. A imagem fundante do termo é a figura da Mãe Preta, aquela que vivia a sua condição de escravizada dentro da casa-grande. Essa mulher tinha como trabalho escravo a função forçada de cuidar da prole da família colonizadora. Escrevivência, em sua concepção inicial, se realiza como um ato de escrita das mulheres negras, como uma ação que pretende borrar, desfazer uma imagem do passado, em que o corpo-voz de mulheres negras escravizadas tinha sua potência de emissão também sob o controle dos escravocratas, homens, mulheres e até crianças. E, se ontem nem a voz pertencia às mulheres escravizadas, hoje a letra, a escrita nos pertencem também.
EVARISTO, C. A Escrevivência e seus subtextos. In: DUARTE, C. L.; NUNES, I. R. (Org.). Escrevivência: a escrita de nós: reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro: Mina, 2020 (adaptado).
TEXTO II
Um corpo no mundo Atravessei o mar, um sol Da América do Sul me guia Trago uma mala de mão Dentro uma oração, um adeus Eu sou um corpo, um ser, um corpo só Tem cor, tem corte E a história do meu lugar, ô Eu sou a minha própria embarcação Sou minha própria sorte
LUEDJI LUNA. Disponível em: https://open.spotify.com. Acesso em: 7 out. 2025 (fragmento).
Os textos I e II apresentam como característica comum a referência a(à)
Ver gabarito e explicação
Gabarito: B
O Texto I retoma a figura da Mãe Preta e propõe a escrevivência como prática de reivindicar a voz e a escrita para grupos historicamente silenciados. A autora descreve o ato de escrever como uma ferramenta para desfazer estereótipos coloniais e recuperar o direito à própria narrativa, vinculando a produção literária à experiência coletiva das mulheres negras.
Na letra de Luedji Luna, o eu lírico apresenta corpo, cor e origem geográfica como pilares da sua existência (“Tem cor, tem corte / E a história do meu lugar”). A jornada marcada pelo mar e pela autonomia pessoal (“Sou minha própria embarcação”) organiza-se em torno do reconhecimento de si mesmo(a) e dos seus laços culturais.
Em comum, ambos os fragmentos estruturam seu discurso em torno de elementos identitários, ao recuperarem memória histórica, corporeidade e pertencimento como bases de afirmação política e estética.
A alternativa correta é a B.
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