Cultura africana no Brasil no ENEM PPL 2025
Competentemente iniciada e dedicada ao culto de Aziri Tobôci, agora Honorata começa a ver novos horizontes em sua vida. Tomada, agora, de um espírito de iniciativa incomum, totalmente diferente do torpor em que vivia, passa a cuidar mais da aparência, a vestir trajes mais alvos, a adornar-se com joias de ouro, mesmo baratas, a caprichar no ojá que lhe envolve graciosa e artisticamente a cabeça. A quase mendiga de antes é agora uma bela e perfumada baiana de tabuleiro, atraindo uma boa freguesia com seus acarajés, abarás, beijus, cuscuzes, bolinhos de tapioca... iguarias de fina e esmerada feitura.
Em pouco tempo, começa a ser, também, acreditada e requisitada como quituteira e banqueteira. A culinária baiana começa a chegar às mesas dos brancos abastados. Vatapá, caruru, xinxim, moqueca já não são comidas de escravo, de negro africano; os africanos são cada vez mais raros. [...]
E, assim como chega às mesas ricas, a Bahia já começa a chegar também ao teatro musicado. Então, as cômicas, no afã de personificarem, com perfeição, as negras minas das ruas, com sua altivez, elegância e insolência, vão bater à porta de Honorata, em busca dos mais rendados cabeções e batas, dos camisus mais sensuais, dos mais coloridos panos da costa, dos balangandãs, pulseiras e colares mais reluzentes.
LOPES, N. Mandingas da mulata velha na cidade nova. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2009.
Na descrição da personagem, observa-se uma mudança de perfil que, de acordo com esse fragmento, reflete a
Ver gabarito e explicação
Gabarito: B
A questão pede para analisar a mudança de perfil da personagem Honorata no texto. Ela deixa o “torpor” e passa a cuidar da aparência, vestir-se melhor, usar joias e preparar quitutes africanos, ganhando dinheiro e respeito. O segredo é identificar o motivo principal dessa transformação.
A descrição mostra que a “culinária baiana” (africana) começa a chegar às mesas dos brancos e que as artes cênicas buscam trajes típicos com ela. Isso indica que a cultura africana está sendo valorizada socialmente, mas a pergunta é sobre o que move a *personagem*: ela se sente bem ao retomar tradições ancestrais, como o culto a Aziri Tobôci e os costumes culinários e visuais de seus antepassados.
A alternativa B (“ancestralidade como fator de resgate da autoestima”) é a correta porque o texto mostra Honorata saindo da pobreza e apatia ao se conectar com suas raízes africanas. Ela não apenas imita algo antigo: a ancestralidade lhe dá orgulho, identidade e energia para prosperar.
As outras alternativas fracassam porque: A) a religião é citada, mas não é o foco da mudança; C) a arte (teatro) aparece, mas como consequência, não como causa da transformação dela; D) a vestimenta é parte, mas isolada não explica a autoestima; E) a alimentação chega aos brancos, mas a mudança principal é interna, na personagem.
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