Cultura africana no Brasil no ENEM 2024
A Língua da Tabatinga, falada na cidade de Bom Despacho, Minas Gerais, foi por muito tempo estigmatizada devido à sua origem e à própria classe social de seus falantes, pois, segundo uma pesquisadora, era falada por "meninos pobres vindos da Tabatinga ou de Cruz de Monte — ruas da periferia da cidade cujos habitantes sempre foram tidos por marginais". Conhecida por antigos como a "língua dos engraxates", pois muitos trabalhadores desse ofício conversavam nessa língua enquanto lustravam sapatos na praça da matriz, a Língua da Tabatinga era utilizada por negros escravizados como uma espécie de "língua secreta", um código para trocarem informações de como conseguir alimentos, ou para planejar fugas de seus senhores sem risco de serem descobertos por eles.
De acordo com um documento do Iphan (2011), os falantes da língua apresentam uma forte consciência de sua relação com a descendência africana e da importância de preservar a "fala que os identifica na região". Essa mudança de compreensão tangencia aspectos de pertencimento, pois, à medida que o falante da Língua da Tabatinga se identifica com a origem afro-brasileira, ele passa a ver essa língua como um legado recebido e tem o cuidado de transmiti-la para outras gerações. A concentração de falantes dessa língua está na faixa entre 21 e 60 anos de idade.

A Língua da Tabatinga tem sido preservada porque o(a)
Ver gabarito e explicação
Gabarito: D
O texto descreve a evolução da percepção da Língua da Tabatinga. Inicialmente, era uma comunicação discreta usada por escravizados e trabalhadores marginais para evitar a vigilância. Atualmente, os falantes apresentam consciência da descendência africana e consideram a língua um legado a ser transmitido.
Essa mudança indica que a língua deixou de ser apenas um código de sobrevivência para se tornar um marcador de pertencimento. A valorização da origem afro-brasileira e o cuidado em preservar a fala que os identifica demonstram a consolidação do sentimento de identidade linguística.
As demais alternativas contradizem o texto. A função da língua mudou, a classe social não é o fator de preservação e o perfil etário é apenas uma descrição demográfica. A alternativa correta é a D.
Outras questões deste tópico
Certo sábado, o sinhô José Carlos recebeu visitas, sete ou oito homens da capital. Eram pessoas importantes, pois todos da cozinha trabalhavam muito preparando quitutes sob a supervisão de sinhá Ana Felipa, que acompanha
Cultura africana no Brasil
Coração tição Quero me lambuzar nos mares negros para não me perder, conseguir chegar no meu destino. Não quero ser parda, mulata Sou afro-brasileira-mineira. Bisneta de uma princesa de Benguela. Não serei refém de valor
Cultura africana no Brasil
Competentemente iniciada e dedicada ao culto de Aziri Tobôci, agora Honorata começa a ver novos horizontes em sua vida. Tomada, agora, de um espírito de iniciativa incomum, totalmente diferente do torpor em que vivia, pa
Cultura africana no Brasil
TEXTO I Pensar a Escrevivência como um fenômeno diaspórico e universal primeiramente me incita a voltar a uma imagem que está no núcleo do termo. A imagem fundante do termo é a figura da Mãe Preta, aquela que vivia a sua
Cultura africana no Brasil