13 DE MAIO — Hoje amanheceu chovendo. É um dia simpático para mim. É o dia da Abolição. Dia em que comemoramos a libertação dos escravos.
… Nas prisões, os negros eram os bodes espiatórios. Mas os brancos agora são mais cultos. E não nos trata com despreso. Que Deus ilumine os brancos para que os pretos sejam felizes.
Continua chovendo. E eu tenho só feijão e sal. A chuva está forte. [...] Estou escrevendo até passar a chuva, para eu ir lá no senhor Manuel vender os ferros. Com o dinheiro dos ferros vou comprar arroz e linguiça. A chuva passou um pouco. Vou sair.
… E eu tenho tanto dó dos meus filhos. Quando eles vê as coisas de comer, eles brada:
— Viva a mamãe!
E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravidão atual — a fome
JESUS, C. M. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2000.
O diário é um gênero de caráter intimista em que afloram aspectos do contexto social e seus valores. Nessa passagem, o olhar da autora sobre esse conjunto
O que a questão pede
Descobrir como a narradora interpreta a conexão entre a data comemorada no início do texto e a realidade cotidiana de sua família, isto é, qual é o posicionamento dela diante desse cenário social.