Funções da linguagem no ENEM - Pará 2025
Quando não estou escrevendo, eu simplesmente não sei como se escreve. E se não soasse infantil e falsa a pergunta das mais sinceras, eu escolheria um amigo escritor e lhe perguntaria: como é que se escreve? Por quê, realmente, como é que se escreve? que é que se diz? e como dizer? e como é que se começa? e o que se faz com o papel em branco nos defrontando teimoso? Sei que a resposta, por mais que intrigue, é única: escrevendo. Sou a pessoa que mais se surpreende ao escrever. Porque, fora das horas em que escrevo, não sei absolutamente escrever. Será que escrever não é um ofício? Não há aprendizagem, então? O que é? Só me considerarei escritora no dia em que eu disser: sei como se escreve.
LISPECTOR, C. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Nessa crônica, os questionamentos da autora evidenciam uma
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Gabarito: A
A crônica de Clarice Lispector é inteiramente construída em torno de perguntas sobre o próprio ato de escrever: "como é que se escreve?", "o que se diz?" e "como dizer?". A autora não dá respostas definitivas, mas reflete sobre a natureza desse processo, afirmando que só sabe escrever quando está de fato escrevendo. Isso mostra que o texto é uma reflexão metalinguística — a linguagem falando sobre si mesma.
Diferente das outras alternativas, que sugerem preferência por um estilo tradicional, angústia com o empobrecimento da escrita, insatisfação com o resultado ou resistência a impressões casuais, o texto não aborda nenhuma dessas questões. Ele simplesmente expõe as dúvidas e surpresas que surgem diante do papel em branco, sem juízo de valor sobre a qualidade ou o método.
O gabarito A está correto porque a crônica se dedica a questionar e pensar o processo criativo da escrita — uma reflexão sobre o próprio fazer do escritor. O trecho "Sou a pessoa que mais se surpreende ao escrever" reforça esse caráter de autorreflexão, em vez de apontar para qualquer tipo de insatisfação ou resistência.
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