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Elementos da comunicação no ENEM - Pará 2025

ENEM 2025 · ENEM - ParáLiteraturaDifícil

A borboleta azul

Ninguém nasce borboleta”, pensou Breno. Depois disse baixinho: “A borboleta é um presente do tempo”. Lá fora, ela, a borboleta, não pensava nada disso. Ocupava-se em voar de um lado para outro, livre. Era azul e sem dúvida um dia havia sido lagarta. Breno tem nove anos e, mais que isso, é lagarta e com sede de se tornar uma borboleta criança, mas quando Breno for adulto vira homem e não borboleta, e o tempo não voará. Sonho de Breno é voar, seja como piloto de avião ou jogador de futebol. Como borboleta, Breno nunca achou o pensar, mas teve: anos, mas sabe que é menino e não lagarta. A avó de Breno sempre diz: “Lagarta queima o dodói e come
planta, mas vira borboleta. Ninguém nasce borboleta”. Agora o menino pensa e olha a borboleta na janela. “De manhã vi um monte de buraquinhos nas folhas”, explicou a anã dele: “É coisa de lagarta”. Os buracos nas acerolas e goiabas eram coisa dos pássaros. Isso ninguém precisou explicar, porque ele sabe, que vi os passarinhos bicar essas frutas, menos o beija-flor, que só ia bicar a água no copo de flor pendurado na goiabeira. “O que será que a borboleta come? Será que o beija flor só bebe água?” Pensou muito nisso e sentiu fome. Saiu em direção à cozinha

MARTINS, G. O sol na cabeça. São Paulo: Cia. das Letras, 2018.

 

Nesse fragmento, a estratégia que constrói a narração sob a perspectiva do protagonista é a

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Gabarito: D

A estratégia que constrói a narração sob a perspectiva do protagonista é a focalização da voz do personagem à voz do narrador. No texto, o narrador alterna entre a descrição dos pensamentos de Breno e a própria fala do menino, sem separá-los claramente. Por exemplo, frases como “pensou Breno” ou “disse baixinho” misturam-se à reflexão direta: “O que será que a borboleta come?”. Essa técnica, conhecida como discurso indireto livre, permite que o leitor acesse o ponto de vista do personagem, como se a voz dele se fundisse à do narrador.

As outras alternativas não correspondem ao efeito principal do fragmento. O uso de diminutivos (“buraquinhos”, “dodói”) é um recurso estilístico, mas não é a estratégia central para mostrar a perspectiva do protagonista. A inserção de memórias (“De manhã vi...”) aparece, mas ela também depende da fusão de vozes para ganhar sentido. Já a descrição do entorno (acerolas, goiabas, beija-flor) e a mescla de tempos verbais (presente e passado) são elementos secundários, que não explicam como o narrador incorpora o olhar infantil de Breno ao longo de todo o trecho.

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