A borboleta azul
“Ninguém nasce borboleta”, pensou Breno. Depois disse baixinho: “A borboleta é um presente do tempo”. Lá fora, ela, a borboleta, não pensava nada disso. Ocupava-se em voar de um lado para outro, livre. Era azul e sem dúvida um dia havia sido lagarta. Breno tem nove anos e, mais que isso, é lagarta e com sede de se tornar uma borboleta criança, mas quando Breno for adulto vira homem e não borboleta, e o tempo não voará. Sonho de Breno é voar, seja como piloto de avião ou jogador de futebol. Como borboleta, Breno nunca achou o pensar, mas teve: anos, mas sabe que é menino e não lagarta. A avó de Breno sempre diz: “Lagarta queima o dodói e come
planta, mas vira borboleta. Ninguém nasce borboleta”. Agora o menino pensa e olha a borboleta na janela. “De manhã vi um monte de buraquinhos nas folhas”, explicou a anã dele: “É coisa de lagarta”. Os buracos nas acerolas e goiabas eram coisa dos pássaros. Isso ninguém precisou explicar, porque ele sabe, que vi os passarinhos bicar essas frutas, menos o beija-flor, que só ia bicar a água no copo de flor pendurado na goiabeira. “O que será que a borboleta come? Será que o beija flor só bebe água?” Pensou muito nisso e sentiu fome. Saiu em direção à cozinha
MARTINS, G. O sol na cabeça. São Paulo: Cia. das Letras, 2018.
Nesse fragmento, a estratégia que constrói a narração sob a perspectiva do protagonista é a
O que a questão pede
Descobrir qual recurso estrutural o autor usa para posicionar o leitor dentro da consciência do menino Breno.