Falavam-me sempre no perigo de subir à Favela. Nos seus terríveis valentes. Nos seus malandros que assaltam com a mesma facilidade com que se dá bom-dia.
O maior perigo que eu encontrei na Favela foi o risco, a cada passo, de despencar-me de lá de cima pela pedreira ou pelo morro abaixo.
Aquela gente, que não tem nada, da uma profunda lição de alegria que àqueles têm tudo.
Sem higiene, sem conforto, naqueles pequeninos casebres […], que se arriscam, a cada instante, a voar com o vento ou despencar-se lá de cima; aquela população de homens valentes - estivadores, carvoeiros, embarcadiços - e de mulheres anemiadas e fracas, e de crianças mal alimentadas e em trapos, cria porcos, bebe cachaça, toca cavaquinho e canta!
COSTALLAT, B. Mistérios do Rio. Rio de janeiro. Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Esporte, 1990.
Em 1924, quando foi publicada essa crônica, predominava uma visão estigmatizada e preconceituosa sobre as comunidades no Rio de Janeiro da Primeira República. Nesse trecho, essa percepção é
O que a questão pede
Descubra qual efeito o trecho produz sobre o preconceito da época em relação aos moradores dos morros.