Modernismo 1º Fase no ENEM - Pará 2025
Falavam-me sempre no perigo de subir à Favela. Nos seus terríveis valentes. Nos seus malandros que assaltam com a mesma facilidade com que se dá bom-dia.
O maior perigo que eu encontrei na Favela foi o risco, a cada passo, de despencar-me de lá de cima pela pedreira ou pelo morro abaixo.
Aquela gente, que não tem nada, da uma profunda lição de alegria que àqueles têm tudo.
Sem higiene, sem conforto, naqueles pequeninos casebres […], que se arriscam, a cada instante, a voar com o vento ou despencar-se lá de cima; aquela população de homens valentes - estivadores, carvoeiros, embarcadiços - e de mulheres anemiadas e fracas, e de crianças mal alimentadas e em trapos, cria porcos, bebe cachaça, toca cavaquinho e canta!
COSTALLAT, B. Mistérios do Rio. Rio de janeiro. Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Esporte, 1990.
Em 1924, quando foi publicada essa crônica, predominava uma visão estigmatizada e preconceituosa sobre as comunidades no Rio de Janeiro da Primeira República. Nesse trecho, essa percepção é
Ver gabarito e explicação
Gabarito: D
A crônica de Costallat, publicada em 1924, dialoga com a visão estigmatizada que existia sobre as favelas cariocas na Primeira República. O autor começa mencionando o discurso comum que associava a Favela a perigos e malandros, mas logo contrapõe isso: o maior risco que ele encontrou foi o de cair, e não a violência entre as pessoas. Em seguida, ele descreve a miséria e a falta de higiene, mas também destaca a alegria, a música e a resistência daquela população.
Essa abordagem não reforça simplesmente o preconceito (alternativa A), nem o nega com um olhar romântico que ignoraria os problemas (alternativa B). Também não se limita a mostrar um perigo diferente (alternativa C) ou a denunciar apenas as más condições (alternativa E). O que o texto faz é apresentar tanto as dificuldades (pobreza, risco de queda, falta de conforto) quanto os aspectos positivos (alegria, canto, solidariedade), criando uma visão que reconhece os dois lados.
Por isso, a percepção estigmatizada é relativizada: o autor não aceita o estereótipo simplista, mas mostra que a vida no morro é feita de mazelas e alegrias ao mesmo tempo. Essa ambivalência é justamente o que a alternativa D descreve.
Resposta: D
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