Poesia Marginal no ENEM PPL 2025
Como abater uma nuvem a tiros
sirenes, bares em chamas,
carros se chocando,
a noite me chama, a coisa escrita em sangue
nas paredes das danceterias
e dos hospitais,
os poemas incompletos
e o vermelho sempre verde dos sinais
LEMINSKI, P. In: CESAR, A. C. et al. Poesia marginal. São Paulo: Ática, 2006.
O poema de Paulo Leminski filia-se à geração da chamada poesia marginal, produzida por artistas que fugiam dos padrões estabelecidos pela elite literária.
Nesse texto, a expressão dessa poética fundamenta-se na
Ver gabarito e explicação
Gabarito: A
O poema usa versos curtos e soltos, sem métrica fixa ou esquemas rimáticos, e justapõe imagens como sirenes, carros batidos e inscrições em paredes. Essa disposição fragmentada reproduz o ritmo acelerado da cidade. A produção marginal rompe com as normas acadêmicas ao abandonar a forma culta em favor de uma linguagem direta que captura o caos urbano.
As outras opções distorcem o texto. Não há perda de sentido nem desconexão com a realidade moderna, pois as cenas compõem justamente o cotidiano das metrópoles. A falta de rima não ataca a tradição poética, mas acompanha o tom improvisado das ruas. Leitura restrita ao trânsito ou aos hospitais ignora o alcance simbólico da composição.
A análise que reconhece a liberdade formal e o retrato da vida urbana corresponde à alternativa A.
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