Poesia Marginal no ENEM PPL 2024
Se me der um beijo eu gosto
Se me der um tapa eu brigo
Se me der um grito não calo
Se mandar calar, mais eu falo
Mas se me der a mão claro aperto
Se for franco direto e aberto
Tô contigo amigo e não abro
Vamos ver o diabo de perto
Mas preste bem atenção seu moço
Não engulo a fruta e o caroço
Minha vida é tutano é osso
Liberdade virou prisão
Se é amor, deu e recebeu
Se é suor, só o meu e o seu
Verbo eu, pra mim já morreu
Quem mandava em mim nem nasceu
É viver e aprender
Vá viver e entender, malandro
Vá compreender,
Vá tratar de viver
GONZAGUINHA. Recado. Rio de Janeiro: EMI, 1978 (fragmento).
Nessa letra de canção, há um tom de ameaça que é evidenciado na recorrência de
Ver gabarito e explicação
Gabarito: A
Os versos iniciam-se repetidamente com “Se”, instituindo uma relação direta entre uma ação proposta e a reação imediata. Construções como “Se me der um beijo eu gosto” e “Se mandar calar, mais eu falo” organizam o discurso em hipóteses e desdobramentos previsíveis. Essa alternância constante gera um tom firme e de aviso, pois cada situação apresentada carrega implicitamente o risco de confrontação caso o limite seja ultrapassado.
O elemento linguístico que sustenta esse caráter ameaçador é o uso recorrente de estruturas condicionais. Ao encadear orações com a conjunção “se”, o texto transforma o diálogo em um tratado de consequências, onde a postura do interlocutor define automaticamente a resposta. Esse mecanismo discursivo reforça a ideia de autonomia e autodefesa presente na letra.
A alternativa correta é a letra A.
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