Variante linguística no ENEM 2018
“Acuenda o Pajubá”: conheça o “dialeto secreto”
utilizado por gays e travestis
Com origem no iorubá, linguagem foi adotada
por travestis e ganhou a comunidade
“Nhaí, amapô! Não faça a loka e pague meu acué, deixe de equê se não eu puxo teu picumã!” Entendeu as palavras dessa frase? Se sim, é porque você manja alguma coisa de pajubá, o “dialeto secreto” dos gays e travestis.
Adepto do uso das expressões, mesmo nos ambientes mais formais, um advogado afirma: “É claro que eu não vou falar durante uma audiência ou numa reunião, mas na firma, com meus colegas de trabalho, eu falo de 'acué’ o tempo inteiro”, brinca. “A gente tem que ter cuidado de falar outras palavras porque hoje o pessoal já entende, né? Tá na internet, tem até dicionário...”, comenta.
O dicionário a que ele se refere é o Aurélia, a dicionária da língua afiada, lançado no ano de 2006 e escrito pelo jornalista Angelo Vip e por Fred Libi. Na obra, há mais de 1 300 verbetes revelando o significado das palavras do pajubá.
Não se sabe ao certo quando essa linguagem surgiu, mas sabe-se que há claramente uma relação entre o pajubá e a cultura africana, numa costura iniciada ainda na época do Brasil colonial.
Disponível em: www.midiamax.com.br. Acesso em: 4 abr. 2017 (adaptado).
Da perspectiva do usuário, o pajubá ganha status de dialeto, caracterizando-se como elemento de patrimônio linguístico, especialmente por:
Ver gabarito e explicação
Gabarito: C
A caracterização do pajubá como patrimônio linguístico exige organização e fixação por meios reconhecidos. O texto menciona explicitamente o dicionário *Aurélia*, lançado em 2006 com mais de 1.300 verbetes. A publicação dessa obra converte um código de uso restrito em um léxico estruturado, permitindo estudo, consulta e preservação. Esse processo de sistematização é o que efetivamente valida a variante como dialeto reconhecido.
O mero uso social ou a quantidade isolada de termos não garantem o estatuto patrimonial sem documentação técnica. A existência de referências escritas normatiza o vocabulário e protege sua identidade cultural. A leitura decisiva aponta para o papel dessa institucionalização, confirmando que a variação se reconhece por ser consolidada por objetos formais de registro.
Alternativa correta: C.
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