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Poesia Marginal no ENEM 2018

ENEM 2018PortuguêsMédia

Eu sobrevivi do nada, do nada

Eu não existia

Não tinha uma existência

Não tinha uma matéria

Comecei existir com quinhentos milhões

e quinhentos mil anos

Logo de uma vez, já velha

Eu não nasci criança, nasci já velha

Depois é que eu virei criança

E agora continuei velha

Me transformei novamente numa velha

Voltei ao que eu era, uma velha

PATROCÍNIO, S. In: MOSÉ, V. (Org ). Reino dos bichos e dos animais é meu nome. Rio de Janeiro: Azougue, 2009.

Nesse poema de Stela do Patrocínio, a singularidade da expressão lírica manifesta-se na:

Ver gabarito e explicação

Gabarito: E

O poema inverte a sequência biológica natural ao narrar a origem há quinhentos milhões e quinhentos mil anos, o nascimento já na velhice, a transformação em criança e o retorno à idade avançada. Essa inversão cronológica rompe com a lógica racional do envelhecimento e quebra a linearidade tradicional.

Ao subverter a passagem do tempo e fundir estágios vitais opostos, o texto opera a transgressão típica da Poesia Marginal. A ruptura se dá pela desconstrução das referências temporais, o que define a alternativa E.

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