Poesia Marginal no ENEM 2018
Dia 20/10
É preciso não beber mais. Não é preciso sentir vontade de beber e não beber: é preciso não sentir vontade de beber. É preciso não dar de comer aos urubus. É preciso fechar para balanço e reabrir. É preciso não dar de comer aos urubus. Nem esperanças aos urubus. É preciso sacudir a poeira. É preciso poder beber sem se oferecer em holocausto. É preciso. É preciso não morrer por enquanto. É preciso sobreviver para verificar. Não pensar mais na solidão de Rogério, e deixá-lo. É preciso não dar de comer aos urubus. É preciso enquanto é tempo não morrer na via pública.
TORQUATO NETO. In: MENDONÇA, J. (Org.) Poesia (im)popular brasileira. São Bernardo do Campo: Lamparina Luminosa, 2012.
O processo de construção do texto formata uma mensagem por ele dimensionada, uma vez que:
Ver gabarito e explicação
Gabarito: C
O poema articula-se pela repetição contínua de “É preciso”, gerando um ritmo de ordem interna. Os imperativos voltados ao eu lírico indicam o esforço deliberado de conter impulsos e medos. A acumulação de comandos reproduz a tensão entre o desejo imediato e a autodisciplina imposta pela sobrevivência na cidade.
Esse mecanismo formal projeta a persistência das emoções reprimidas, já que a insistência no discurso traduz a necessidade de suprimir e controlar estados afetivos intensos. A estrutura direta e acumulativa evidencia a luta permanente do sujeito contra as pressões internas e externas. A alternativa correta é a C.
Outras questões deste tópico
Como abater uma nuvem a tiros sirenes, bares em chamas, carros se chocando, a noite me chama, a coisa escrita em sangue nas paredes das danceterias e dos hospitais, os poemas incompletos e o vermelho sempre verde dos sin
Poesia Marginal
33ª poética etou farta da materialidade embrulhada do signo da metalinguagem narcísica dos poetas do texto de espelho em punho revirando os óculos modernos estou farta dessa falta enxuta dessa ausência de objetos rotundo
Poesia Marginal
Recado Se me der um beijo eu gosto Se me der um tapa eu brigo Se me der um grito não calo Se mandar calar, mais eu falo Mas se me der a mão claro aperto Se for franco direto e aberto Tô contigo amigo e não abro Vamos ver
Poesia Marginal
Pessoal intransferível Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. É o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem
Poesia Marginal