Poesia Marginal no ENEM PPL 2017
Sou um homem comum
brasileiro, maior, casado, reservista,
e não vejo na vida, amigo
nenhum sentido, senão
lutarmos juntos por um mundo melhor.
Poeta fui de rápido destino
Mas a poesia é rara e não comove
nem move o pau de arara.
Quero, por isso, falar com você
de homem para homem,
apoiar-me em você
oferecer-lhe meu braço
que o tempo é pouco
e o latifúndio está aí matando
[...]
Homem comum, igual
a você,
[...]
Mas somos muitos milhões de homens
comuns
e podemos formar uma muralha
com nossos corpos de sonhos e margaridas.
FERREIRA GULLAR. Dentro da noite veloz. Rio de Janeiro: José Olympio, 2013 (fragmento).
No poema, ocorre uma aproximação entre a realidade social e o fazer poético, frequente no Modernismo. Nessa aproximação, o eu lírico atribui à poesia um caráter de
Ver gabarito e explicação
Gabarito: A
O poema troca a contemplação estética pela união coletiva. Passagens como “lutarmos juntos por um mundo melhor” e “podemos formar uma muralha com nossos corpos” revelam que a prática poética serve para organizar os sujeitos frente às mazelas sociais, como o latifúndio e a violência institucional.
Ao destacar a força dos “milhões de homens comuns”, o autor confere à poesia agregação construtiva e poder de intervenção na ordem instituída. Focar apenas na emoção, na memória ou na reflexão abstrata desconsidera o chamado explícito à organização e à transformação política apresentado no texto. A alternativa correta é a letra A.
Outras questões deste tópico
Como abater uma nuvem a tiros sirenes, bares em chamas, carros se chocando, a noite me chama, a coisa escrita em sangue nas paredes das danceterias e dos hospitais, os poemas incompletos e o vermelho sempre verde dos sin
Poesia Marginal
33ª poética etou farta da materialidade embrulhada do signo da metalinguagem narcísica dos poetas do texto de espelho em punho revirando os óculos modernos estou farta dessa falta enxuta dessa ausência de objetos rotundo
Poesia Marginal
Recado Se me der um beijo eu gosto Se me der um tapa eu brigo Se me der um grito não calo Se mandar calar, mais eu falo Mas se me der a mão claro aperto Se for franco direto e aberto Tô contigo amigo e não abro Vamos ver
Poesia Marginal
Retrato de homem A paisagem estrita ao apuro do muro feito vértebra a vértebra e escuro. A geração dos pelos sobre a casca e os rostos em seus diques de sombra repostos. Os poços com seu lodo de ira e de tensão: entre ci
Poesia Marginal