Cultura no ENEM PPL 2025
TEXTO I
Ave Maria das quebradeiras Ave Maria palmeira que sofre desgraça Malditos derruba, queima, devasta Bendito é teu fruto que serve de alimento E no leito da terra ainda dá o sustento Santa mãe brasileira, mãe de leite verdadeiro Em sua hora derradeira, rogai por todas nós quebradeiras.
LIMA, M. S. apud GIRALDIN, O. O universo cultural do babaçu no Bico do Papagaio. In: SANTOS, A. M.; MUNIZ, C. P. L. Babaçu: universo cultural da palmeira. Palmas: Iphan, 2016 (adaptado).
TEXTO II
A líder do Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu, Maria do Socorro Lima, compôs a Ave Maria das quebradeiras com base em um episódio que ela vivenciou: certa feita, estava em sua casa quando um vaqueiro chegou em uma moto e lhe pediu que o acompanhasse, pois queria lhe mostrar uma coisa que ele havia encontrado. Após percorrer uma grande distância, parou no meio do babaçual, onde mostrou a ela uma palmeira que havia sido derrubada com uma motosserra. A palmeira estava totalmente seccionada e estendida no solo, mas ainda nessa posição ela conservou energia e teria levantado a “cabeça”, permitindo que o cacho desabrochasse.
SANTOS, A. M.; MUNIZ, C. P. L. Babaçu: universo cultural da palmeira. Palmas: Iphan, 2016 (adaptado).
A cosmovisão ecológica presente nos textos simboliza a preocupação pela
Ver gabarito e explicação
Gabarito: D
Os dois textos vinculam a palmeira babaçu à sobrevivência e à identidade dos povos que dela extraem seu sustento. No primeiro trecho, o poema eleva a planta a "santa mãe brasileira", destacando que seu fruto é alimento e base do sustento. O segundo texto contextualiza essa relação ao narrar como o corte ilegal da árvore afeta diretamente o modo de vida das quebradeiras, mostrando que a resistência natural espelha a força desse grupo tradicional.
A cosmovisão apresentada não trata da conservação ambiental isolada, mas da interdependência entre o ecossistema local e as práticas ancestrais que dele dependem. Ao defender a palmeira, os textos defendem também o conhecimento, a economia de extrativismo e a organização social construídos historicamente em torno do babaçu. Essa perspectiva se opõe a modelos produtivos externos e reforça a urgência de manter vivos esses saberes e territórios.
Essa lógica direciona a solução para a preservação da cultura nativa. A alternativa correta é a D.
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