Cultura no ENEM PPL 2025
Essa ideia levou-o a estudar os costumes tupinambás... Desde dez dias que se entregara a essa árdua tarefa, quando (era domingo) lhe bateram à porta, em meio de seu trabalho. Abriu, mas não apertou a mão. Desandou a chorar, a berrar, a arrancar os cabelos, como se tivesse perdido a mulher ou um filho. A irmã correu lá de dentro, o Anastácio também, e o compadre e a filha, pois eram eles, ficaram estupefatos no limiar da porta.
— Mas que é isso, compadre?
— Que é isso, Policarpo?
— Mas, meu padrinho... Ele ainda chorou um pouco. Enxugou as lágrimas e, depois, explicou com a maior naturalidade:
— Eis aí! Vocês não têm a mínima noção das coisas da nossa terra. Queriam que eu apertasse a mão... Isto não é nosso! Nosso cumprimento é chorar quando encontramos os amigos, era assim que faziam os tupinambás.
BARRETO, L. Triste fim de Policarpo Quaresma. São Paulo: Ática, 1998.
O diálogo descrito no texto remete aos costumes do(a)
Ver gabarito e explicação
Gabarito: E
O protagonista substitui o aperto de mão pelo pranto e arrancão de cabelos ao encontrar visitas, justificando que esse é o costume dos Tupinambás. O texto associa diretamente a prática do choro saudação à lógica social desses grupos nativos, caracterizada pela expressão intensa de afeto ou emoção. Ao adotar esse ritual, o personagem busca integrar-se a uma tradição não europeia, valorizando o código de convivência original da terra.
Esse raciocínio exclui vínculos com religiões abraâmicas, proselitismos ou manifestações artísticas. A explicão dada por Policarpo apoia-se exclusivamente na referência a um povo originário, demonstrando uma mudança de perspectiva sobre o que é considerado adequado no trato social. A validação dessa conduta aponta para a racionalidade indígena.
A alternativa correta é a letra E.
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