Filosofia medieval no ENEM PPL 2025
Sem negar que Deus prevê todos os acontecimentos futuros, entretanto nós queremos livremente aquilo que queremos. Porque, se o objeto da presciência divina é a nossa vontade, é essa mesma vontade assim prevista que se realizará. Haverá, pois, um ato de vontade livre, já que Deus vê esse ato livre com antecedência.
AGOSTINHO. O livre-arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995 (adaptado).
Refletindo sobre o Deus onisciente e suas criaturas, o autor sustenta a
Ver gabarito e explicação
Gabarito: C
No trecho, Agostinho enfrenta um problema clássico da filosofia medieval: se Deus é onisciente e já sabe tudo o que vai acontecer, como podemos ser realmente livres? Ele responde que a presciência divina não anula a liberdade, pois Deus não causa o ato, apenas o vê antecipadamente. O ato previsto por Deus é justamente um ato livre.
A alternativa C está correta porque o texto afirma que o conhecimento de Deus (uma cognição transcendental, isto é, anterior e superior à experiência humana) tem precedência cronológica e lógica sobre o agir humano. Deus “vê esse ato livre com antecedência”, mas essa precedência não elimina a vontade: ela a confirma. O saber divino é condição de possibilidade, não de anulação da liberdade.
As demais alternativas falham porque desviam o foco. A e B tratam de cooperação ou prevalência da liberdade, mas o texto não defende que a liberdade se sobrepõe a Deus; ela existe justamente dentro da ordem prevista por Ele. D e E falam de conformação ou autonomia em relação à condição humana, temas que não são o cerne da argumentação agostiniana. Portanto, a ideia central é a antecedência do conhecimento divino sobre o ato humano, sem destruir o livre-arbítrio.
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