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Filosofia medieval no ENEM 2019

ENEM 2019FilosofiaFácil

De fato, não é porque o homem pode usar a vontade livre para pecar que se deve supor que Deus a concedeu para isso. Há, portanto, uma razão pela qual Deus deu ao homem esta característica, pois sem ela não poderia viver e agir corretamente. Pode-se compreender, então, que ela foi concedida ao homem para esse fim, considerando-se que se um homem a usar para pecar, recairão sobre ele as punições divinas. Ora, isso seria injusto se a vontade livre tivesse sido dada ao homem não apenas para agir corretamente, mas também para pecar. Na verdade, por que deveria ser punido aquele que usasse da sua vontade para o fim para o qual ela lhe foi dada?
AGOSTINHO. O livre-arbítrio. In: MARCONDES, D. Textos básicos de ética. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

Nesse texto, o filósofo cristão Agostinho de Hipona sustenta que a punição divina tem como fundamento o(a):

Ver gabarito e explicação

Gabarito: B

Agostinho defende que a vontade livre foi concedida ao homem exclusivamente para orientá-lo à vida correta. Quando exercida na direção oposta, produz o pecado e aciona a punição divina. O raciocínio parte da premissa de que castigar por uma escolha seria injusto apenas se a liberdade tivesse sido outorgada precisamente para errar, o que não ocorre.

O texto revela que a escolha humana, por mais legítima, apresenta limites diante do bem absoluto. A autonomia moral isolada não garante por si só o cumprimento desse fim, de modo que a queda na transgressão demonstra a insuficiência da autonomia moral. É exatamente nesse ponto que a justiça divina se funda: a reprovação acompanha o uso inadequado de um poder que, sozinho, não bastaria para sustentar a retidão.

Alternativa correta: B.

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