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Funções da linguagem no ENEM (Libras) 2021

ENEM 2021 · ENEM (Libras)PortuguêsMédia

Estojo escolar


Rio de Janeiro — Na noite dessas, ciscando em um desses canais a cabo, vi uns caras oferecendo maravilhas eletrônicas. Bastava telefonar e eu receberia um notebook capaz de me ajudar a fabricar um navio, uma estação espacial.
[...] Como pretendo viajar esses dias, habilitei-me a comprar aquilo que os caras anunciavam como o top do top em matéria de computador portátil.
No sábado, recebi um embrulho complicado que necessitava de um manual de instruções para ser aberto.
[...] De repente, como vem acontecendo nos últimos tempos, houve um corte na memória e vi diante de mim o meu primeiro estojo escolar. Tinha 5 anos e ia para o jardim de infância.
Era uma caixinha comprida, envernizada, com uma tampa que corria nas bordas do corpo principal. Dentro, arrumados em divisórias, havia lápis coloridos, um apontador, uma lapiseira cromada, uma régua de 20 cm e uma borracha para apagar meus erros.
[...] Da caixinha vinha um cheiro gostoso, cheiro que nunca esqueci e que me tonteava de prazer. [...]
O notebook que agora abro é negro e, em matéria de cheiro, é abominável. Cheira vivamente a telefone celular, a cabine de avião, a aparelho de ultrassonografia, onde outro dia uma moça veio ver como sou por dentro. Acho que piorei de estojo e de vida.

CONY, C. H. Crônicas para ler na escola. São Paulo: Objetiva, 2009 (adaptado).

No texto, há marcas da função da linguagem que nele predomina. Essas marcas são responsáveis por colocar em foco o(a)

Ver gabarito e explicação

Gabarito: D

O texto opera sob a função emotiva ou expressiva da linguagem. A recorrência da primeira pessoa do singular, aliada a termos avaliativos como “gostoso”, “abominável” e ao veredito “piorei de estojo e de vida”, deixa clara a intenção de partilhar vivências internas. O narrador não transmite dados neutros; ele impõe sua sensibilidade e sua memória sobre os objetos descritos.

Essa estrutura direciona o olhar para o enunciador, já que a mensagem ganha forma a partir de sua experiência íntima e de seu posicionamento crítico. Não há preocupação com a informatividade pura ou com a persuasão direta do leitor; o núcleo do discurso é a projeção da subjetividade e da atitude do próprio autor frente à transformação tecnológica e pessoal.

Diante das marcas observadas, a alternativa correta é a letra D.

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