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Filosofia moderna no ENEM 2016

ENEM 2016FilosofiaFácil

Nunca nos tornaremos matemáticos, por exemplo, embora nossa memória possua todas as demonstrações feitas por outros, se nosso espírito não for capaz de resolver toda espécie de problemas; não nos tornaríamos filósofos, por ter lido todos os raciocínios de Platão e Aristóteles, sem poder formular um juízo sólido sobre o que nos é proposto. Assim, de fato, pareceríamos ter aprendido, não ciências, mas histórias.

DESCARTES, R. Regras para a orientação do espírito. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

Em sua busca pelo saber verdadeiro, o autor considera o conhecimento, de modo crítico, como resultado da:

Ver gabarito e explicação

Gabarito: D

O trecho de Descartes rejeita o conhecimento como mera acumulação de informações ou reprodução passiva de autores consagrados. Ele afirma que ter a memória preenchida por demonstrações matemáticas ou ler Platão e Aristóteles não transforma ninguém em cientista ou pensador, pois falta ao espírito a capacidade de resolver problemas e formular juízos próprios. Sem esse trabalho interno, o estudo vira registro de fatos alheios, equiparado a aprender histórias e não ciências.

Essa posição enquadra-se no racionalismo moderno, que transfere a garantia da verdade para a razão humana. O saber não nasce da autoridade estabelecida nem da observação desordenada, mas do exercício ativo e independente do intelecto. Assim, a passagem sustenta que a construção do conhecimento depende da autonomia do sujeito pensante.

As demais alternativas se desfazem diante do texto. A empiria (A) e a tradição (B) são apontadas como materiais brutos e insuficientes; a imposição de dogmas (C) opõe-se ao método crítico desenvolvido por Descartes; e a esfera ética (E) distorce o foco epistemológico da citação.

A alternativa correta é a letra D.

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