Filosofia antiga no ENEM PPL 2025
Na obra O Político, Platão faz uma sutil distinção entre plantas e animais. As plantas, diferentemente dos animais, não seriam geridas pelo cosmo. Isso se prova pela sua autonomia ao germinarem aleatoriamente no solo. As plantas seriam autônomas, enquanto os animais seriam comandados. Se considerarmos a degeneração pela qual passariam os homens e suas almas, segundo Platão, vindo a se tornarem animais em outras vidas, os homens seriam seres políticos que deveriam ser governados, submissos a algo ou a alguém, no caso à política e ao demiurgo ou artesão, criador de todas as coisas. As plantas, por outro lado, cuja natureza é distinta, não teriam suas almas subordinadas ou dotadas de um fim.
KLEPKA, V.; CORAZZA, M. J. A natureza da classificação dos seres vivos na Grécia Antiga. Diálogos, n. 2, 2018 (adaptado).
No texto, a natureza serve de paradigma para a compreensão da(s)
Ver gabarito e explicação
Gabarito: C
Platão usa a diferença entre plantas (autônomas) e animais (comandados) como modelo para explicar a condição humana. No texto, os homens são descritos como “seres políticos que deveriam ser governados”, ou seja, precisam de submissão à política e ao demiurgo. Isso indica que a natureza serve de analogia para entender a organização da sociedade, não para questões de botânica, religião ou agricultura.
A distinção entre plantas e animais reflete a hierarquia que Platão via no mundo humano: alguns seres (os cidadãos) devem ser governados por outros (os filósofos e as leis). Assim, a natureza é um espelho da constituição da pólis – a sociedade ateniense ideal, onde cada parte tem seu papel e sua subordinação.
Portanto, a alternativa correta é a C, pois o texto usa o paradigma natural para falar sobre a política e a hierarquia social, e não sobre monoteísmo (A), leis botânicas (B), técnicas agrícolas (D) ou dessacralização da cosmologia (E).
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