Iluminismo no ENEM - Pará 2025
Memória e história não são sinônimos. A memória é a vida, protagonizada pelas pessoas, em grupo, e está em evolução permanente. Aberta para a dialética da lembrança e do esquecimento, a memória não tem consciência de sua sucessiva deformação e, vulnerável a todas as utilizações e manipulações, é suscetível a longas latências e repentinas revitalizações. A história é a reconstrução sempre problemática e incompleta do que já passou. A memória é um fenômeno sempre atual, uma ligação vivida no eterno presente, ao passo que a história é uma representação do passado.
LISBOA, K. M. Comemorações, história, memória e identidade. In: RODRIGUES, J. (Org.). A Universidade Federal de São Paulo aos 75 anos: ensaios sobre história e memória. São Paulo: Unifesp, 2008 (adaptado).
De acordo com o texto, a escrita da história exige a prática de
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Gabarito: E
O texto diferencia memória e história: a memória é viva, mutável e ligada ao presente; já a história é uma reconstrução do passado, sempre incompleta e problemática. A pergunta é: o que a escrita da história exige? Como a história é uma "reconstrução" do que já passou, ela precisa trabalhar com algo que não está mais ali, mas que foi vivido.
Analisando cada alternativa:
- A (ratificar registros) – isso seria apenas confirmar documentos, mas o texto critica a ideia de que a história é simples cópia do passado. - B (detalhar verdades antigas) – sugere que a história repete verdades fixas, incompatível com a ideia de reconstrução problemática. - C (reforçar vestígio recordado) – a memória é o terreno das recordações, mas a história não é só reforçar lembranças; ela as questiona. - D (afirmar o acontecimento descrito) – apenas descrever o que ocorreu ignora a incompletude e a problemática da reconstrução histórica. - E (recompor o tempo experimentado) – o texto diz que a história é uma "reconstrução sempre problemática e incompleta do que já passou", ou seja, ela precisa recompor (reconstruir) o tempo que foi experimentado (vivido). É a única opção que capta a ideia de que a história não é simples repetição, mas um trabalho de recomposição.
Portanto, a resposta correta é a letra E.