Cultura no ENEM PPL 2024
TEXTO I
A partir da Segunda Guerra Mundial o cenário europeu se altera com o progressivo aumento de um sentimento democrático e de compreensão do poder público e das suas modalidades de ação e de relação com a sociedade, que passa a exercer de modo um pouco mais articulado algum controle social, o qual era visto até então como de exclusividade do poder público. Essa nova perspectiva também altera significativamente a percepção da arte e, por óbvio, da historicidade da mesma.
MARZADRO, F. Revista NAU Social, n. 5, maio-out. 2013 (adaptado).
TEXTO II
A liberdade artística é termômetro democrático dos mais sensíveis. Nela encontram-se o pensamento, a expressão e a criatividade. É o espaço do novo e da diversidade. Não espanta que incomode quem não deseja um mundo plural e livre. Ainda mais quando extremismos e ódio sufocam o convívio das diferenças. É preciso cultivar a liberdade artística. Cerceá-la, por imposturas que semeiam a discórdia e se valem da confusão, do medo e do preconceito, não é novidade. O nazismo se valeu disso contra a “arte degenerada” para instaurar uma sociedade fascista. Essa repressão não é inocente. Ela afronta o direito à cultura, que é de todos, e discrimina particularmente certos grupos, como no caso em que atinge pessoas LGBTQIAPN+. Abre as portas para a violência, como já vivenciam os adeptos de religiões afro-brasileiras, que são apedrejados e que têm suas casas de religião incendiadas, ou quando atendimento médico é negado a crianças por motivação ideológica.
RIOS, R. R. Arte e democracia. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br. Acesso em: 26 out. 2023 (adaptado).
Os textos enfatizam a importância histórica da manifestação artística como um instrumento de
Ver gabarito e explicação
Gabarito: A
O primeiro texto associa o fortalecimento da democracia no pós-guerra europeu à transformação do lugar da arte, que passa a integrar o controle social e a reflexão histórica coletiva. A produção cultural deixa de ser restrita e passa a espelhar disputas e acordos públicos.
O segundo texto ratifica esse elo ao definir a liberdade artística como indicador da vitalidade democrática. A restrição à criação é mostrada como instrumento de apagamento de minorias e de preparação para violências sistemáticas, enquanto a expressão aberta preserva a diversidade e o diálogo entre diferentes grupos.
Ambos os trechos tratam a manifestação estética como veículo de engajamento político e garantia de convívio plural. Essa linha descarta abordagens centradas em ritos religiosos, divisão hierárquica, lógica financeira ou supervisão técnica. O fundamento comum confirma participação cidadã em defesa da inclusão.
Alternativa correta: A.
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