Modernismo 1º Fase no ENEM (Libras) 2022
Firmo, o vaqueiro
No dia seguinte, à hora em que saía o gado, estava eu debruçado à varanda quando vi o cafuzo que preparava o animal viajeiro:
— Raimundinho, como vai ele?...
De longe apontou a palhoça.
— Sim.
O braço caiu-lhe, olhou-me algum tempo comovido; depois, saltando para o animal, levou o polegar à boca fazendo estalar a unha nos dentes: “Às quatro horas da manhã... Atirei um verso e disse, para bulir com ele: Pega, velho! Não respondeu. Tio Firmo, mesmo velho e doente, não era homem para deixar um verso no chão… Fui ver, coitado!... estava morto”. E deu de esporas para que eu não lhe visse as lágrimas.
NETTO, C. In: MARCHEZAN, L. G. (Org.). O conto regionalista. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
A passagem registra um momento em que a expressividade lírica é reforçada pela
Ver gabarito e explicação
Gabarito: D
O trecho acompanha a reação de Raimundinho ao descobrir que Tio Firmo faleceu durante a noite. Os gestos descritos — o braço que cai, o silêncio e o esforço para conter as lágrimas ao partir — traduzem choque e luto. A menção ao hábito de compor versos (“não era homem para deixar um verso no chão”) revela reverência pela tradição oral e pelo laço de camaradagem.
A expressividade lírica emerge desse registro subjetivo da dor e da memória. A narrativa abandona a descrição objetivo para focar nos sinais físicos da emoção e na entonação melancólica da fala. A cena transforma um episódio comum em registro íntimo de perda, alinhando-se à sensibilidade modernista que prefere o humano ao heróico.
Essa carga sentimental confirma a afetividade demonstrada ao noticiar a morte do cantador, tornando a alternativa D a correta.
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