Período pré-colonial no ENEM 2015
A língua de que usam, por toda a costa, carece de três letras; convém a saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei, e dessa maneira vivem desordenadamente, sem terem além disto conta, nem peso, nem medida.
GÂNDAVO, P. M. A primeira história do Brasil: história da província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 2004 (adaptado).
A observação do cronista português Pero de Magalhães de Gândavo, em 1576, sobre a ausência das letras F, L e R na língua mencionada, demonstra a
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Gabarito: D
O cronista português analisa a língua indígena por meio de sua própria matriz cultural. Ao notar a ausência das letras F, L e R, associa esses sons aos conceitos de Fé, Lei e Rei, considerando-os pilares obrigatórios para qualquer organização social. Essa leitura ignora que os povos originários possuíam estruturas próprias de parentesco, ritual e gestão territorial, aplicando um padrão europeu como medida única de civilização.
Ao tratar a diversidade linguística como evidência de desordem e ausência de regras, o observador mostra incapaz de decodificar outras lógicas históricas. Fica clara a incompreensão dos valores socioculturais indígenas pelos portugueses, pois o julgamento parte exclusivamente da visão de mundo lusitana, e não do reconhecimento da autonomia civilizatória nativa.
Alternativa correta: D.
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