Período pré-colonial no ENEM 2011
Em geral, os nossos tupinambás ficam bem admirados ao ver os franceses e os outros dos países longínquos terem tanto trabalho para buscar o seu arabotã, isto é, pau-brasil. Houve uma vez um ancião da tribo que me fez esta pergunta: “Por que vindes vós outros, mairs e perós (franceses e portugueses), buscar lenha de tão longe para vos aquecer?
Não tendes madeira em vossa terra?” LÉRY, J. Viagem à Terra do Brasil. In : FERNANDES, F. Mudanças Sociais no Brasil. São Paulo: Difel, 1974.
O viajante francês Jean de Léry (1534-1611) reproduz um diálogo travado, em 1557, com um ancião tupinambá, o qual demonstra uma diferença entre a sociedade europeia e a indígena no sentido
Ver gabarito e explicação
Gabarito: A
O trecho registra o espanto dos tupinambás diante da extração do pau-brasil para venda na Europa. Para os indígenas, a madeira integrava seu ambiente imediato e atendia a demandas locais ou rituais. Os europeus, por sua vez, tratavam a mesma matéria-prima como mercadoria voltada ao mercado transoceânico. A divergência não aponta para diferenças técnicas ou escassez geográfica, mas para o fim social e econômico atribuído ao recurso após a coleta.
A análise histórica exige identificar esse choque organizacional. Enquanto a estrutura indígena vincula a produção ao consumo direto, a lógica europeia a insere numa rede comercial buscando acumulação externa. Essa oposição revela o destino dado ao produto do trabalho nos seus sistemas culturais, pois cada modelo atribui funções, valores e circuitos de circulação distintos aos recursos naturais.
As demais alternativas importam categorias anacrônicas ou desviam o foco do diálogo. Não há menção a preservação ambiental contemporânea, interesse conjunto por exploração lucrativa, intercâmbio cultural equilibrado ou previsão de estoques para estações frias. A compreensão da economia extrativa e dos fins sociais da produção direciona para a alternativa correta.
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