Barroco no ENEM PPL 2014
Sermão da Sexagésima
Nunca na Igreja de Deus houve tantas pregações, nem tantos pregadores como hoje. Pois se tanto se semeia a palavra de Deus, como é tão pouco o fruto? Não há um homem que em um sermão entre em si e se resolva, não há um moço que se arrependa, não há um velho que se desengane. Que é isto? Assim como Deus não é hoje menos onipotente, assim a sua palavra não é hoje menos poderosa do que dantes era. Pois se a palavra de Deus é tão poderosa; se a palavra de Deus tem hoje tantos pregadores, por que não vemos hoje nenhum fruto da palavra de Deus? Esta, tão grande e tão importante dúvida, será a matéria do sermão. Quero começar pregando-me a mim. A mim será, e também a vós; a mim, para aprender a pregar; a vós, que aprendais a ouvir.
VIEIRA, A. Sermões Escolhidos, v. 2. São Paulo: Edameris, 1965
No Sermão da sexagésima, padre Antônio Vieira questiona a eficácia das pregações. Para tanto, apresenta como estratégia discursiva sucessivas interrogações, as quais têm por objetivo principal
Ver gabarito e explicação
Gabarito: A
A sequência de perguntas retóricas no início do texto funciona como um dispositivo de engajamento típico do Barroco. Ao contrastar o volume de pregações com a falta de conversões, Vieira usa os interrogativos para criar tensão e suspender a expectativa da plateia.
Essas indagações não buscam respostas imediatas nem atacam a estrutura eclesiástica. Elas operam como um ganho discursivo que ativa o interesse pela exposição que se seguirá, mostrando que o contraste anunciado exige uma explicação central.
Portanto, a estratégia tem como fim provocar a necessidade e o interesse dos fiéis sobre o conteúdo que será abordado no sermão, o que define a alternativa A.
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