Variante linguística no ENEM 2009
Texto I
O professor deve ser um guia seguro, muito senhor de sua língua; se outra for a orientação, vamos cair na “língua brasileira”, refúgio nefasto e confissão nojenta de ignorância do idioma pátrio, recurso vergonhoso de homens de cultura falsa e de falso patriotismo. Como havemos de querer que respeitem a nossa nacionalidade se somos os primeiros a descuidar daquilo que exprime e representa o idioma pátrio?
ALMEIDA, N. M. Gramática metódica da língua portuguesa. Prefácio. São Paulo: Saraiva, 1999 (adaptado).
Texto II
Alguns leitores poderão achar que a linguagem desta Gramática se afasta do padrão estrito usual neste tipo de livro. Assim, o autor escreve tenho que reformular, e não tenho de reformular; pode-se colocar dois constituintes, e não podem-se colocar dois constituintes; e assim por diante. Isso foi feito de caso pensado, com a preocupação de aproximar a linguagem da gramática do padrão atual brasileiro presente nos textos técnicos e jornalísticos de nossa época.
REIS, N. Nota do editor. PERINI, M. A. Gramática descritiva do português. São Paulo: Ática, 1996.
Confrontando-se as opiniões defendidas nos dois textos, conclui-se que:
Ver gabarito e explicação
Gabarito: E
O Texto I considera qualquer afastamento da norma clássica como sinal de ignorância e exige adesão total ao modelo tradicional. Trata-se de uma visão prescritiva, que encara a variação linguística como desvio passível de condenação.
O Texto II explicita que o distanciamento do padrão antigo foi intencional, buscando alinhar a gramática ao português efetivamente usado no Brasil contemporâneo. A proposta é descritiva, pois prioriza o registro vivo da língua sobre regras históricas artificiais.
A oposição entre conservar um código fixo e aceitar a evolução natural do idioma confirma exatamente a comparação feita na opção correta. A alternativa correta é a letra E.
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