Nazifascismo no ENEM 2019
Essa atmosfera de loucura e irrealidade, criada pela aparente ausência de propósitos, é a verdadeira cortina de ferro que esconde dos olhos do mundo todas as formas de campos de concentração. Vistos de fora, os campos e o que neles acontece só podem ser descritos com imagens extraterrenas, como se a vida fosse neles separada das finalidades deste mundo. Mais que o arame farpado, é a irrealidade dos detentos que ele confina que provoca uma crueldade tão incrível que termina levando à aceitação do extermínio como solução perfeitamente normal.
ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo: Cia. das Letras, 1989 (adaptado).
A partir da análise da autora, no encontro das temporalidades históricas, evidencia-se uma crítica à naturalização do(a):
Ver gabarito e explicação
Gabarito: D
O trecho de Hannah Arendt descreve o campo de concentração como um espaço onde a perda dos sentidos mundanos gera uma irrealidade que transforma o extermínio em algo aceito como perfeitamente normal. A autora não aponta apenas para a violência física, mas para a retirada sistemática da dignidade, que permite que a eliminação em massa seja vista como procedimento corriqueiro e burocrático.
Essa desumanização institucionalizada é o mecanismo central do nazifascismo, pois converte a exclusão de grupos específicos em ferramenta de governo. Critica-se, portanto, a naturalização da separação radical entre indivíduos com plenos direitos e pessoas reduzidas à condição de biomassa administrável, estrutura essencial para Estados que regulamentam quem pode viver e quem deve morrer. segregação humana, que fundamenta os projetos biopolíticos traduz exatamente essa lógica de controle estatal sobre a existência, enquanto as demais alternativas desviam para legitimação de desigualdades, alienação individual, tradições religiosas ou enquadramentos culturais punitivos, temas alheios à despersonalização em massa. Portanto, a alternativa correta é a D.
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