Colonização no ENEM 2018
TEXTO I
E pois que em outra cousa nesta parte me não posso vingar do demônio, admoesto da parte da cruz de Cristo Jesus a todos que este lugar lerem, que deem a esta terra o nome que com tanta solenidade lhe foi posto, sob pena de a mesma cruz que nos há de ser mostrada no dia final, os acusar de mais devotos do pau-brasil que dela.
BARROS, J. In: SOUZA, L. M. Inferno atlântico: demonologia e colonização: séculos XVI-XVIII. São Paulo: Cia. das Letras, 1993.
TEXTO II
E deste modo se hão os povoadores, os quais, por mais arraigados que na terra estejam e mais ricos que sejam, tudo pretendem levar a Portugal, e, se as fazendas e bens que possuem souberam falar, também lhes houveram de ensinar a dizer como os papagaios, aos quais a primeira coisa que ensinam é: papagaio real para Portugal, porque tudo querem para lá.
SALVADOR, F. V. In: SOUZA, L. M. (Org.). História da vida privada no Brasil: cotidiano evida privada na América portuguesa. São Paulo: Cia. das Letras, 1997.
As críticas desses cronistas ao processo de colonização portuguesa na América estavam relacionadas à:
Ver gabarito e explicação
Gabarito: E
O primeiro texto alerta sobre a prioridade dada à extração do pau-brasil, revelando que o território americano era tratado como fonte de matéria-prima a ser enviada à metrópole. O segundo texto confirma essa lógica ao afirmar que os colonos, independente da riqueza acumulada, destinavam todos os seus bens para Portugal, utilizando a imagem dos papagaios para denunciar o escoamento constante de recursos rumo ao Reino.
As duas narrativas evidenciam o funcionamento do pacto colonial, cujo objetivo central era o enriquecimento da Coroa e do comércio português em prejuízo do desenvolvimento territorial americano. A crítica apresentada nos textos concentra-se nesse mecanismo de drenagem de valor produzido na colônia. Portanto, a análise indica a expropriação de riquezas locais.
Alternativa correta: E.
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