Crise na república das oligarquias no ENEM 2007
São Paulo, 18 de agosto de 1929.
Carlos [Drummond de Andrade],
Achei graça e gozei com o seu entusiasmo pela candidatura Getúlio Vargas – João Pessoa. É. Mas veja como estamos... trocados. Esse entusiasmo devia ser meu e sou eu que conservo o ceticismo que deveria ser de você. (...).
Eu... eu contemplo numa torcida apenas simpática a candidatura Getúlio Vargas, que antes desejara tanto. Mas pra mim, presentemente, essa candidatura (única aceitável, está claro) fica manchada por essas pazes fragílimas de governistas mineiros, gaúchos, paraibanos (...), com democráticos paulistas (que pararam de atacar o Bernardes) e oposicionistas cariocas e gaúchos. Tudo isso não me entristece. Continuo reconhecendo a existência de males necessários, porém me afasta do meu país e da candidatura Getúlio Vargas. Repito: única aceitável.
Mário [de Andrade]
Renato Lemos. Bem traçadas linhas: a história do Brasil em cartas pessoais. Rio de Janeiro: Bom Texto, 2004, p. 305.
Acerca da crise política ocorrida em fins da Primeira República, a carta do paulista Mário de Andrade ao mineiro Carlos Drummond de Andrade revela
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Gabarito: A
A carta expõe uma inversão de posições entre os amigos frente às eleições de 1929. Drummond demonstra entusiasmo pela mobilização, enquanto Mário mantêm ceticismo ao notar que a chapa depende de arranjos com lideranças estaduais. O texto descreve esses pactos como acertos frágeis e transitórios, que aproximam a candidatura de figuras regionais sem compromisso com mudanças profundas.
Esse diagnóstico político gera o distanciamento do autor paulista. O reconhecimento de que a proposta seria a única viável para depor o governo Bernardes não supera a impressão de continuidade dos velhos mecanismos de poder. As negociatas de bastidor substituem o ideal de ruptura, reduzindo o engajamento a uma simpatia passiva e confirmando que as composições eleitorais reproduzem a lógica oligárquica já criticada.
O documento contrapõe a adesão imediata de um interlocutor ao afastamento reflexivo do outro, explicando-o pela crítica aos acordos partidários. A análise encerra o raciocínio apontando a alternativa A.